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“O Grande Circo”

 

Já lá vão 50 anos…

Sputnik

por Paulo Alexandre Teixeira

É verdade. Sempre tive a impressão que quando falávamos de Espaço, pensava que era o futuro. Naves Espaciais, tecnologia de ponta, Velocidade da Luz, “Star Trek“, “Star Wars“… esse futuro começou com uma pequena esfera, com quatro antenas, e com um transmissor que emitia um pequeno sinal sonoro “bip, bip, bip…” Era o Sputnik, e hoje faz 50 anos que foi lançado para o espaço.

Havia séculos que o Homem sonhava com o Espaço. Lembram-se de Julio Verne, no seu livro “Da Terra à Lua“? Quando o escreveu, em 1865, mal ele sabia que pouco mais de 100 anos depois, Neil Armstrong e Edwin “Buzz” Aldrin estariam a passear no nosso satélite, afirmando aquelas palavras que ecoarão no tempo: “Um pequeno passo para o Homem, um grande salto para a Humanidade“.

Das fantasias para a realidade foi um pequeno passo. Foi aí que aparecerem os pioneiros: Robert Goddard (1882-1945), cujas experiências com foguetes líquidos inspiraram um jovem alemão, de seu nome Werner von Braun (1912-1977), que colaborou com os nazis na construção do foguete V2, o primeiro míssil balístico da história. Aliás, quando os americanos capturaram Von Braun e o interrogavam, este, espantado, retorquiu: “Mas vocês têm um homem no vosso país que sabe tudo sobre foguetões. As ideias que nós usámos são todas dele. Chama-se Robert H. Goddard”.

No Verão de 1945, americanos e russos queriam a mesma coisa: a tecnologia do foguetão V2. Se os americanos tinham a equipa principal, os russos tinham outro génio de foguetes: Serguei Korolev (1907-1966). Durante anos, ninguém no Ocidente soube quem ele era. Tinha sido uma decisão do Politburo soviético, em escondê-lo a ele e ao programa espacial soviético, pois estava intimamente ligado ao projecto dos mísseis intercontinentais. Era a Guerra Fria a fazer das suas…

Korolev era um génio da astrofísica, mas isso, por alturas do regime de Joseph Stalin, seria visto como perigoso. Foi denunciado numa das purgas orquestradas por Stalin em 1938, e condenado a 10 anos num “Gulag”, com acusações que se revelaram falsas. Durante a guerra, as suas contribuições não passaram despercebidas e o Exército Vermelho chamou-o para supervisionar o desmanche e transferência de foguetes da Alemanha para a União Soviética.

A exploração espacial não era uma surpresa. Aliás, era um dos objectivos do Ano Geofisico Internacional, em 1957/58, que para além de uma muito mediatizada operação de exploração à Antártida, também se previa o lançamento de um foguete espacial, com um ou vários satélites científicos, para o estudo da Terra. O então presidente americano Dwight Eisenhower tinha anunciado até o nome do foguetão: “Vanguard“.

Foi Korolev que teve a ideia de lançar um satélite no espaço, e a ideia inicial era de o lançar em Setembro de 1957, data do centenário de outro grande cientista russo: Konstantin Tsiolkovsky (1857-1935). Mas foi difícil convencer o Soviete Supremo da utilidade de lançar um satélite científico, ou do efeito propagandístico que ela teria, caso lançassem antes dos americanos. Por causa disso, não ficou pronto a tempo. Então, Korolev decidiu lançar para o mês seguinte, data do 40º aniversário da Revolução de Outubro.

O Sputnik era uma esfera simples, de 83,5 quilos de peso, 58 centímetros de diâmetro, dois radiotransmissores e quatro antenas. A escolha do design fora do próprio Korolev: “A Terra é uma esfera e o primeiro satélite tem de ter também uma forma esférica“, terá ele dito a um dos seus colaboradores mais próximos, Boris Chertok (n.1912). O foguetão que o transportava era um R-7, um míssil intercontinental adaptado para foguetão, e este foi lançado em Baikonour, no actual Cazaquistão.

A 4 de Outubro, pelas 22.25 horas, o foguete R-7 foi lançado, e a separação dos vários andares correu como previsto. Poucos minutos depois, o Sputnik (que significa “companheiro de viagem” em russo) começava a transmitir o seu característico “bip-bip”. Em termos científicos, a missão tinha terminado com sucesso, mas em termos políticos e propagandísticos, ainda mal começara…

O mundo ocidental ficou espantado. Enchiam-se primeiras páginas com o feito. Os governos ficavam preocupados, pois não esperavam tal manobra vinda da União Soviética. Estavam tão convencidos da superioridade tecnológica dos americanos, que isto foi visto como uma bofetada do “urso russo”. O espanto foi tanto que até apanhou de surpresa os próprios russos: o Pravda do dia 5 anunciava o lançamento na primeira página, mas no fundo. No dia seguinte, depois de saberem do impacto que teve no Ocidente, os russos propagandeavam o feito, como mais uma prova da superioridade tecnológica do comunismo. Houve até quem declarasse alto e bom som que “o lançamento do Sputnik não era mais do que propaganda comunista“. Isso aconteceu em Portugal e o senhor que disse isso chamava-se Varela Cid, um eminente professor na área da astrofisica. Isso foi tão gozado que por causa disso, os ingleses inventaram a expressão “Don’t be Varela“, para afirmar, por outras palavras: “não te armes em parvo”.

Claro, isso mordeu o orgulho americano. O “bip-bip” do Sputnik, captado por radioamadores de todo o mundo, funcionou durante três semanas, até ao dia 26 desse mês. Mas na altura em que deixou de funcionar. Korolev estava a delinear o próximo passo: um ser vivo no espaço. Exactamente um mês depois, o Sputnik 2 era lançado, com uma cadela a bordo. Chamava-se Laika. Infelizmente, esse passeio espacial durou apenas poucas horas, pois ela morreria, vítima da privação de oxigénio.

Os americanos só recuperaram um pouco do seu orgulho em Janeiro de 1958, com o Explorer 1, mas no mês anterior, o Vanguard, da Marinha norte-americana, tinha falhado redondamente perante o olhar do mundo ocidental e das risadas de Nikita Kruschov, que chegou a proclamar bem alto que “fabricavam mísseis como se fabricam salsichas“. A realidade não era bem assim, mas nessa altura, as pessoas andavam realmente assustadas…

Depois do Explorer 1, os americanos tomaram medidas: criaram a NASA, escolheram um grupo de sete astronautas para que fossem os primeiros a irem ao espaço (nesse aspecto, Korolev ganhou de novo: Iuri Gagarin (1934-1968) foi o primeiro ser humano a ir para o espaço a 12 de Abril de 1961). A corrida espacial estava lançada, e a década de 60 iria assistir à algo excitante, cujo culminar foi aquele 21 de Julho de 1969, quando Armstrong e Aldrin pisaram a superfície da Lua. Korolev não assistiu a isso: tinha morrido de ataque cardíaco em Janeiro de 1966. Foi então que os russos revelaram o seu verdadeiro nome, algo que até então estava no segredo dos Deuses. Antes disso, chamavam-no de “Engenheiro-Chefe“.

Hoje em dia, com a competição a ser substituida pela cooperação, cujo maior simbolo é a Estação Espacial Internacional, assistimos a uma espécie de virar de página na história da exploração espacial. Outras potências, como a China, a India e o Japão, voltaram a estar interessadas na Lua. Os Estados Unidos estão a caminho de uma nova geração de foguetes espaciais (os vaivens vão se reformar em 2010) e a exploração privada começa a dar os seus primeiros passos. Pode ser que dentro de 20 ou 30 anos, estejamos a colocar o homem em Marte. Em cooperação ou competição, não se sabe, mas sendo eu um fã da exploração espacial, cá estarei para assistir aos novos feitos que esta Humanidade irá conseguir neste século XXI…

Contato: p.alex.teixeira@gmail.com

Acesse nosso histórico de colunas no Arquivo Mondo.

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