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“Visão Feminina”

Um Ser de Luz

 cnunes.gif

por Val Vaz

Que baita confusão está nosso dia a dia; é do trabalho para casa e os afazeres comuns da gente. E ainda temos que ouvir aqui e ali toda a velha história de sempre sobre o nosso “mundo político”.
Eu sinceramente não gosto de política, mas é impossível não ficar (ainda) de boca aberta e se sentir com cara de palhaço (com diz o Ron Groo) com tudo o que acontece nesse nosso país chamado Brasil (ia).
Ainda somos escravizados vivendo em um país que se diz democrático, sofremos e aceitamos porque não abrimos os olhos para perceber que está nas mãos de cada brasileiro o poder deste país… Vivemos um ostracismo completo… Toda a luta que já existiu nessa nossa nação parece mesmo ter sido em vão… Um comodismo impressionante…

Mas não é exatamente sobre isso que eu quero falar hoje…
Alguém ainda se lembra de quando a nossa música tinha belas vozes?
Pois é, eu ainda fiquei sem conhecer muito dessas maravilhas, mas me lembro da minha infância, meu pai e minha mãe ouviam algumas delas… Mas quero falar de uma em especial que tinha a voz linda, não agradava muitos, pois algumas de suas canções reportavam a determinada religião, mas que até hoje tem seu valor por ter sido uma das maiores intérpretes de samba do nosso país. Vamos falar de Clara Nunes… A Guerreira

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“Se vocês querem saber quem eu sou, eu sou a “tal” mineira…” 

Clara Francisca Gonçalves nasceu no interior de Minas Gerais, no distrito de Cedro da Cachoeira, na época pertencente ao município de Paraopeba e depois emancipado com o nome de Caetanópolis, em 12 de agosto de 1942. O pai, Mané Serrador, era violeiro e cantador de folias-de-reis. Órfã desde pequena, aos 16 anos foi para Belo Horizonte, onde conseguiu empregar-se como operária numa fábrica de tecidos.
Por essa época cantava no coral de uma igreja, ao mesmo tempo em que, ajudada pelos irmãos, concluía o curso normal. Em 1960 foi a vencedora da final do concurso A Voz de Ouro ABC, em sua fase mineira, com Serenata do Adeus (Vinícius de Moraes), e obteve o terceiro lugar, na finalíssima realizada em São Paulo, com Só Adeus (Jair Amorim e Evaldo Gouveia). Contratada pela Rádio Inconfidência, de Belo Horizonte, durante um ano e meio teve um programa exclusivo na TV Itacolomi. Nessa mesma época, cantava em boates e clubes, tendo sido escolhida, por três vezes, a melhor cantora do ano.
Em 1965 foi para o Rio de Janeiro e passou a apresentar-se na TV Continental, no programa de José Messias. Ainda nesse ano, após teste, foi contratada pela Odeon, que, em 1966, lançou seu primeiro LP, A voz adorável de Clara Nunes, em que interpreta boleros e sambas-canções. Em 1968, gravou Você passa e eu acho graça (Ataulfo Alves e Carlos Imperial), que foi seu primeiro sucesso e marcou sua definição pelo samba.
Em 1972, além de ter realizado seu primeiro show, Sabiá sabiô (com texto de Hermínio Bello de Carvalho), no Teatro Glauce Rocha, no Rio de Janeiro, lançou o LP Clara, Clarice, Clara, com musicas de compositores de escolas de samba e outras de Caetano Veloso e Dorival Caymmi. Ainda nesse ano, gravou o samba Tristeza pé no chão (Armando Fernandes), apresentado no Festival de Juiz de Fora, que vendeu mais de 100 mil copias. Em fevereiro 1973, estreou no Teatro Castro Alves, em Salvador, com o show O poeta, a moça e o violão, ao lado de Vinícius de Moraes e Toquinho. Em 1973 gravou na Europa o LP Brasília e, no Brasil, o LP Alvorecer, que chegou ao primeiro lugar de todas as paradas brasileiras com Conto de areia (Romildo e Toninho). Em 1974, ao lado de Paulo Gracindo, atuou no Canecão, no Rio de Janeiro, na segunda montagem do espetáculo Brasileiro, profissão esperança, de Paulo Pontes (do qual foi lançado um LP), que contava as vidas de Dolores Duran e de Antônio Maria. Em 1975, ano do seu casamento com o compositor Paulo César Pinheiro lançou Claridade, seu disco de maior sucesso. Outro grande sucesso veio em 1976, com o disco Canto das três raças. Em 1977 lançou As forças da natureza, disco mais dedicado ao samba e ao partido-alto. Em 1978 lançou o disco Guerreira, interpretando outros ritmos brasileiros. Em 1979 lançou o disco Esperança. No ano seguinte veio Brasil mestiço, que incluiu o sucesso Morena de Angola, composto por Chico Buarque para ela. Em 1981 lançou Clara, com destaque para Portela na avenida. No auge como intérprete, lançou em 1982 Nação, que seria seu último disco.

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Morreu em 02 de Abril 1983, depois de 28 dias de agonia, hospitalizada após um choque anafilático ocorrido durante uma cirurgia de varizes. Biografia: Enciclopédia da Música Brasileira
Art Editora e PubliFolha
Uma música marcou muito após a sua morte foi “Um ser de luz”, que foi gravada por sua melhor amiga a “Marrom” Alcione e a letra feita por seu marido Paulo César Pinheiro.

UM SER DE LUZ
 (João Nogueira / Mauro Duarte / Paulo César Pinheiro)

Um dia
Um ser de luz nasceu
Numa cidade do interior
E o menino Deus lhe abençoou
De manto branco ao se batizar
Se transformou num sabiá
Dona dos versos de um trovador
E a rainha do seu lugar
Sua voz então
Ao se espalhar
Corria chão
Cruzava o mar
Levada pelo ar
Onde chegava
Espantava a dor
Com a força do seu cantar
Mas aconteceu um dia
Foi que o menino Deus chamou
E ela foi pra cantar
Para além do luar
Onde moram as estrelas
A gente fica a lembrar
Vendo o céu clarear
Na esperança de vê-la, sabiá
Sabiá
Que falta faz tua alegria
Sem você, meu canto agora é só
Melancolia
Canta, meu sabiá,
Voa, meu sabiá
Adeus, meu sabiá,
Até um dia

Sabiá foi o apelido mais que carinhoso que Paulo César lhe deu; e o fez por que a comparava a um sabiá. O sabiá é o pássaro de canto mais doce e profundo que existe. O sabiá-laranjeira é uma ave brasileira, das mais populares, citada por diversos poetas como o pássaro que canta no tempo do amor, ou seja, na primavera. Também conhecido como sabiá amarelo ou de peito roxo, é um dos melhores cantores do mundo… E Clara também o foi…

Veja que apenas uma de suas músicas que falava da difícil vida da escravidão, hoje fala muito de todos nós…

Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil

Um lamento triste
Sempre ecoou…


…Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou

E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar
Canta de dor

E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador

Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas
Como um soluçar de dor.
(Canto das Três Raças. Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro).


Fico emocionada com o amor e o prazer que ela expressava em cada música que cantava… era mesmo uma Guerreira esta mulher e uma intérprete como não se vê mais.
Sinto falta de uma voz assim tão limpa e clara.
Mas muitas fazem falta.

Canta meu sabiá, Voa meu sabiá, Adeus meu sabiá… Até um dia…

 

clara.jpg

 

                         Contato: vall_vaz@yahoo.com.br

Acesse nosso histórico de colunas no Arquivo Mondo.

4 Respostas to ““Visão Feminina””

  1. Evandro Monteiro said

    Eu concordo com você, pois a Clara era uma cantora única. Tinha uma voz linda e emocionava a todos nós com suas canções. Suas músicas ainda são interpretadas por outros cantores e cantoras, mas ainda não conseguiram superar as interpretações originais.
    Clara será sempre a número 1.

  2. Clara Vannessa said

    Oi… meu nome é Clara Vannessa e por coincidencia ou não nasci no dia 12 de agosto de 1985. Meu nome foi dedicado a esta maravilhosa cantora da qual minha mãe sempre foi muito fã. Conheci o trabalho dela pelas musicas que minha mãe escutava e escuta até hoje. Gostei muito do artigo, pois me proporcionou conhecer mais sobre as obras e a vida dë Clara Nunes.

  3. Gil said

    Val, primeiramente deixe-me parabeniza-la não só pelo texto mas pela homenagem que você prestou à Clara. Inesquecível. Eterna. É minha cantora favorita. Uma das coisas mais bonitas que já me disseram foi de que eu tinha a mesma claridade dela, uma honraria para alguém que admira esta mulher desde criança. Meus pais também adoravam ouvi-la e ve-la cantar. Eu tinha nove anos quando ela morreu e lembro do clima de velório lá em casa, de como ficamos tristes e de que fiquei um tempão sentada no batente do terraço da nossa casa ouvindo um especial que a Radio Recife produziu para homenagea-la. Estou lendo o livro Clara Nunes – Guerreira da Utopia, uma excelente biografia (muito bem detalhada), escrita por Vagner Fernandes e recomendo para todos os fãs dela. Além dos textos há muitas fotos da nossa querida Clara Nunes.

  4. thenúzia said

    Falar de Clara e ouvir suas músicas sempre foi muito emocionante pra mim. Sua voz inconfundível me faz um bem danado e eu nunca deixei de admirá-la nem de cantar suas músicas maravilhosas. Até hoje canto Clara Nunes, “canto para iluminar o dia, canto para amenizar a noite, canto pra denunciar o açoite, canto também contra a tirania…” essa é a minha preferida (a missão) uma grande mulher, hoje falta alguma coisa de belo em nossa música.

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